Sexta-feira, Julho 29, 2005
Easy Like a Sunday Morning
02:34
Banalizaram. Banalizamos. Eu, tu, eles, todo mundo. Banalizamos o glamour, a erm... magia[!] do verbo apaixonar. Não sei se sempre foi assim, porque é esse o tempo em que vivo. Mas vejo pessoas se apaixonando com uma facilidade incrível. E não, eu não sou diferente. Sou exatamente igual a você e a todo mundo. Procuro minhas paixões em todo lugar onde piso. Paixões de cinco, dez, vinte minutos. Algumas delas deixam lembranças por dias. Outras, desaparecem na próxima estação do metrô, ou somem de vista quando viro a esquina.
Sozinho ninguém quer ficar, fato. Mesmo quando a gente quer, a gente não quer. Mas somos fáceis demais... e não digo fáceis no sentido de vulgares, ou "dados". Somos fáceis no sentido de que somos vulneráveis. Quem nessa vida não sai, como diria Leoni, caçando paixão? Eu, com a cara mais lavada, digo que saio sim, por mais desesperado que isso possa parecer. Porque eu sei que não é desespero. É uma necessidade, é algo que faz com que eu me sinta viva e boba e alegre e cara-de-pau.
Só porque estamos banalizando, não quer dizer que seja ruim. É ruim se você levar a sério demais. Aí machuca, e machuca feio. Mas um flerte, um beijo atrás daquela árvore, uma piscadinha praquela pessoa que tá ali na mesa da frente no restaurante em que você janta com seus pais, isso [eu garanto], não faz mal. Banalizar as paixões é nada mais, nada menos, que abolir o falso moralismo e viver os sentimentos de maneira simples, singela, verdadeira e livre.
Make it easy, dude.
Humilde texto dedicado ao meu amigo poetinha Rafael Romero e às suas paixões banais, reais e inspiradoras.
No Radinho: Morrissey - The More You Ignore Me, The Closer I Get
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Segunda-feira, Julho 18, 2005
Canta um Samba
19:15
Canta um samba. Canta, canta ele agora. Porque se você está feliz, não tem momento melhor que esse pra cantar um samba. E se você está triste, não pode perder a oportunidade de ficar feliz. Ficar feliz cantando um samba. Não tem tristeza quando o samba toca, ainda que seja este o samba mais triste da história. Porque o samba, quando é triste no que fala, é dez vezes mais feliz no que canta. E não há o tal do "vice-versa", porque um samba nunca é triste no que canta. Mesmo sendo no que fala. Entendeu? Não? Então canta um samba.
Chama a Clara Nunes pra dizer que o mar serenou quando ela pisou na areia. Ou o Chico pra contar que ela desatinou, viu chegar quarta-feira e acabar a brincadeira, bandeiras se desmanchando, mas ela ainda está sambando. Chama o samba pra te tirar da fossa, te tirar da bossa que conta do amor que foi... E fala da dor do amor que vem, quando não tem que vir, porque não há de vir e se não há de vir não tem que ter porquê. Tem que obedecer. Mas, se não obedece, chama um samba. Canta um samba.
Eu não sei sambar. Eu não sei dançar é nada, quanto mais um samba. Mas eu não preciso saber sambar, eu só preciso desatinar; eu não preciso saber sambar, se eu sei que é só pisar... É só pisar na areia. Já dizia o poeta: É melhor ser alegre que ser triste, alegria é a melhor coisa que existe, é assim como a luz no coração. Mas, pra fazer um samba com beleza, é preciso um bocado de tristeza. É preciso um bocado de tristeza, senão, não se faz um samba, não.
Agora, se aí achar contradição, responde: você faz samba? Não? Não. Então, deixa a tristeza pro sambista. Deixa a tristeza pro sambista, deixa a tristeza pro poeta e pro tocador de violino que acha o samba popular demais pra ser por ele cantado. Deixa a tristeza pra quem não sabe desatinar ou pisar na areia. Deixa a tristeza pra quem quiser ficar com ela. Deixa a tristeza... E canta um samba.
No Radinho: Vinícius de Moraes - Samba da Benção
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Quinta-feira, Julho 14, 2005
Quiz
02:09
You can do it
No Radinho: mariah carey - hero
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Sexta-feira, Julho 08, 2005
Né?!
19:42
As pessoas falam muito sobre amor. "O amor é sublime, o amor é mágico, o amor é puro". Falam do amor como se fosse o sentimento mais perfeito e mais intocável. Fazem músicas de amor, sonetos de amor, odes ao amor, exaltam o amor em toda e qualquer oportunidade que têm. O que toda essa gente não sabe, é que o amor não é um só, ele não é único e não é sempre bonito assim. O amor tem várias faces. E eu acredito em somente dois tipos de amor: o amor fraterno e o amor efêmero. Mas não quero falar do primeiro, apenas do último.
O amor efêmero não pode ser confundido com promiscuidade sentimental, porque esta geralmente vem acompanhada de uma dose -cavalar ou não- de crueldade que me enoja, posto que já fui vítima disso. Esse amor de que falo é aquele que chega rápido e acaba rápido. Não, eu não chamo isso de paixão, porque é diferente. Amor efêmero não é pensar 24 por dia em uma pessoa e sentir uma vontade louca de trepar a cada dez minutos, isso sim é paixão. Amor efêmero consiste em gostar, em se importar, em querer bem, mas com um certo limite de caracteres emocionais.
É uma espécie de amor racional, só. Aquele no qual a gente tem mais possibilidades de dar um basta, dizer que chega e cumprir com o que fala. Um amor que não consegue ser maior que o nosso amor próprio, um amor que enxerga defeitos e reinvindica melhorias. Por isso que digo que é a forma de amar mais justa, porque ele não transpõe a nossa capacidade de agüentar a barra. Ahh, como o mundo seria melhor se todo mundo amasse assim, com os olhos abertos... Mas em vez disso, chamam meu amor preferido de cafajestagem. Cegos.
No Radinho: Red Hot Chili Peppers - Suck My Kiss
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