Sábado, Maio 28, 2005
Gay Pride
20:45
São Paulo está colorida: alegria. Hoje, passando pela paulista, eu só consegui abrir um sorriso enorme e mais nada. Amanhã, domingo, dia 29, estaremos comemorando o respeito. Estaremos comemorando a liberdade, estaremos comemorando a tolerância, estaremos comemorando a dignidade. Mas, acima de tudo, celebraremos o amor. O amor próprio e o amor ao próximo. Seja gay, lésbica, hétero, bissexual, pansexual, danem-se esses rótulos, somos todos irmãos. Amanhã, eu estarei no meio da Avenida Paulista, defendendo a paz. Defendendo o gay.
Parabéns pra esse povo guerreiro que supera tantas dificuldades e não abandona o orgulho de ser o que é. E o preconceito daqui uns anos, será só um fantasma velho, cansado de assombrar pessoas de bem.
No Radinho: Beach Boys - Feel Flow
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Domingo, Maio 15, 2005
E a mãe?
22:52
Eu não visito blogs. Não visito e não gosto deles. Está certo, sempre tem um ou outro que eu visito [porém raramente comento]. E não é demagogia, é tecnolog... digo, quando visito é porque realmente me agrada. Mas é difícil, porque os blogs em geral me cansam. Inclusive os meus. Não sei, acho algo massante. Porque se for pensar, são todos iguais. Poucos tem um diferencial, algo que chame a atenção. Mas de um jeito ou de outro, todo blog não passa de terapia cibernética pra um bando de doidos que gastam tempo com isso.
Pense bem: fazer um blog dá trabalho. Digo, um blog bem feito, claro. Requer um certo conhecimento na área de web design [ou algum amigo que o tenha], tempo para postar, criatividade para este mesmo fim, saco pra agüentar os comentaristas malas que aparecem de vez em quando, enfim, é muita coisa. Pra pessoas ocupadas como eu [*cof*], um blog não é uma boa idéia. Mas por que eu faço isso, então?
a) sou masoquista b) gosto de torturar as pessoas com os meus posts infames c) gosto de disseminar a discórdia e o mau-humor d) porque meu psiquiatra disse que poderia diminuir minhas tendências homicidas e) e tem que ter um porquê?!
E tem que ter um porquê?! Responda-me você, blogueiro assíduo. Por que você tem um blog?! Para difundir suas idéias, tentando assim uma lavagem cerebral coletiva que lhe permitirá dominar o mundo? Para encher o saco dos seus amigos implorando por comentários? Para ficar famoso [HAHAHAHAHAHA]? Para poder preencher o campo "home page" do orkut? Para estar na moda [se você respondeu sim pra essa, sinto informar-te que blogs não estão mais na moda]? Pois bem, abra seu coraçãozinho e me diga o porquê de um bloguinho em sua vida.
Não sei, mas às vezes me pego lendo uns blogs e fico triste comigo mesma. Sim, porque se for parar pra pensar, é meio deprimente ficar lendo sobre a vida dos outros. Ok, nem todos os blogs são diarinhos, mas eu por vezes me pego lendo diarinhos. E, de preferência, de pessoas que eu conheço ou quase-conheço [quase-conhecer é conhecer alguém que te liga à pessoa que você quase-conhece]. Me sinto meio sem vida quando termino de ler essas coisas. Sei lá, me vejo como uma velha gorda com um vestido vermelho de bolinhas brancas, chinelo vovó e bobes na cabeça que fica o tempo todo na janela contando pra vizinha do lado quem deu pra quem no fim de semana.
Esse mês, esse blog aqui faz um ano. Um ano perguntando como vai a sua mãe. E a mãe, tá boa? Ou tá lendo blogs? Tá fazendo um?! Quê? Como assim? Ah, é. Mães também já fazem blogs. E não é de hoje não. Mães modernas. A minha sequer liga o computador. Melhor pra mim, assim não há disputa pelo teclado e eu posso escrever tranqüilamente no meu blog. Pra ele poder fazer um ano, dois, três, quatro... quantos eu agüentar postar. Agora eu vou indo, porque isso não pode ocupar tanto tempo da minha vida. E manda um beijo pra sua mãe.
No Radinho: The Jesus and Mary Chain - About You
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Sábado, Maio 07, 2005
Pelado, Pelado, Nu com a Mão no Cu
19:17
Eu não sou moralista, nunca fui e também não pretendo ser. Não me vejo como membro da liga das senhoras católicas daqui a cinqüenta anos -mesmo porque não sou católica- e realmente acho que Deus deu a vida pra cada um cuidar da sua. Mas existem coisas que me enojam, porque afinal, tudo tem um limite. Do que eu tô falando? Eu tô falando de sexo. Não do ato propriamente dito, mas de tudo o que sexo engloba: pica, bunda, peito, boceta, cu, tudo isso. Alguns termos chulos? Claro, é assim que se usa na internet, não é? Francamente.
A questão é que eu acho absurda a forma como as pessoas se expõem. Tudo bem, não é de hoje que a gente vê por aí aquelas páginas cheias de putaria, geralmente direcionadas para os homens, em que se encontram mulheres de todos os tipos, formas e tamanhos e de todos os jeitos. Elas realmente existem aos montes e acessa quem quer. Só que a coisa tá ficando feia, porque eu não posso mais abrir nem a porra do orkut sem ver pelo menos uma putariazinha que seja. Legal, né? Abrir um álbum e dar de cara com um caralho duro, ou um caralho mole, que seja. Mega divertido.
Eu acho isso nojento mesmo. Acho horrível ver a que ponto chegou a falta de vergonha das pessoas. A putaria invade todo e qualquer espaço na rede, não tem pra onde fugir. Putaria é bom? É bom, claro que é bom. Todo mundo gosta, de um jeito ou de outro. Mas é legal lembrar que existem pessoas que não tem nem idade pra ver esse tipo de coisa acessando aquela porra de orkut. Tá certo que o orkut é para maiores de idade, mas todo mundo sabe que pra adolescente não tem essa! C'mon, minha irmã de treze anos tá no orkut.
Não tem nem conversa, por mais que a ferramenta seja destinada pra uma determinada faixa etária, acho que o certo é respeitar a todos, não importa a idade. Porque tá certo que todo mundo [que tem idade, hein] gosta de putaria, mas nem todo mundo acha legal a putaria virtual. Eu por exemplo, não vejo sentido. Não condeno quem gosta, mas é aquilo que eu disse: existem páginas, milhares delas, destinadas à putaria virtual. Então, não vejo porque zoar com esse tipo de coisa algo como o orkut, ou qualquer outra rede de "amigos" virtual, que não tem essa finaldade.
Sem contar o quanto é feio. Meu, quem quer ver aquele monte de bunda caída, aquela renca de pau peludo, aquelas bocetas cabeludas, ou mesmo as não cabeludas, whatever?! NOJO! Aí é capaz ainda de alguém chegar aqui e comentar que esse post reflete a falta de sexo na minha vida. Eu respondo: falta sexo é na vida de quem fica se expondo na internet pra ver se algum(a) carniceiro(a) cata! Vê se eu fico expondo minha bunda por aí! Não preciso disso, sou uma pessoa decente, de bom caráter, boa índole e respeito.
Bem que se diz, que a sua liberdade começa onde termina a do outro. Hã!
No Radinho: Pearl Jam - Alive
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Domingo, Maio 01, 2005
Pseudocrônica de um Pé na Bunda Anunciado
18:22
Vocês se lembram daquele comercial de analgésico que passava na televisão, em que um cara no auto falante, como se fosse um carro de pamonha, anunciava "Edna, Edna, Edna: você vai pegar uma gripe!"? Então. Hoje eu decidi me abrir para com vocês. Afinal, a maioria pouco sabe de mim. Aí vocês me perguntam: "Fry, qual é a relação entre o seu desabafo e o comercial de analgésico supracitado?". Eu lhes respondo: praticamente nenhuma, mas achei interessante lembrar desse comercial. Calma, tô brincando. Tem sim a ver, e muito. Vou lhes explicar tudo com calma. Mini Flash-Back, por favor.
< mini flash-back >
Alguns meses atrás, estava eu terminando meu mais recente namoro. Foi uma relação interessante, porém não deu certo, talvez por excesso de compromisso da outra parte, talvez por falta de compromisso da minha parte. O que parecia ser o relacionamento perfeito, desmoronou quando a gente viu que o próximo passo era o altar [exagero detected]. O que meu par achava disso eu não sei. Mas tudo o que eu consegui pensar foi "nem fodendo". Eu não tenho idade pra me casar! Nem vontade, nem loucura suficientes. Whatever, isso tudo se foi. Desde então, eu vinha vivendo uma fase tranqüila. Amigos, algumas baladas e "one night relationships" de vez em quando.
Isso durou algumas semanas. Até eu me deparar com um probleminha de 1m54. Definitivamente, meu subconsciente é masoquista. Eu só me atraio de verdade por quem pisa, trata mal e ainda cospe no prato que come. Posso ter na minha vida a melhor pessoa do mundo. A mais atenciosa, a mais linda, a mais gentil e carinhosa. Certo que vou jogar fora pra sofrer por quem não tá nem aí. Isso porque eu fui avisada. Foi algo do tipo "ok, você quer ficar a gente fica. Mas é só um dia, depois eu te dou um fora e continuo com a minha vidinha pacata". Claro que foi tudo muito eufemisado. Claro, né. Mas eu, tapada como sempre, me deixei levar. Pau no meu cu, né.
< /mini flash-back >
Incrível essa capacidade dos seres humanos de se foderem com algo premeditado. É igual criança pequena. Tá no parquinho feliz, vai subir no escorregador e a mãe diz "não sobe que você vai cair, mimimi". A criança tonta vai e sobe. Cinco seguindos depois, tá no chão berrando e sem os dois dentes da frente. Praxe. Acho que deve ser um modo que as pessoas arranjam de se desafiarem. O subconsciente é algo muito, mas muito filho da puta. Se eu for me pegar como exemplo, comprovo isso fácil. Além do pré-fora eufemisado, todos os meus amigos disseram "não faz essa burrada". Como se dissessem que a porta tá aberta e ainda assim eu preferisse tentar atravessar a parede. Afinal, eu sou a super Fry e parede nenhuma me segura, certo? Errado. Olha o galo aqui.
Minha mãe, quando presencia as minhas ressacas, diz que "quando a cabeça não pensa, o corpo padece". Eu acho que vou ter que mudar isso pra "quando os hormônios não pensam, o coração padece". Eu não sou uma menina, sou uma mula. Vejam só: além de empacar, dou coice. Sim, eu sou uma mula. Pronto, encontrei finalmente a minha identidade. The incredible fake-writer-mule. Mas tô cansadinha já, dessa palhaçada toda. Eu devia me entregar a canalhice logo. A Tati me disse que eu tenho muito valor pra desperdiçar meu tempo esse tipo de pessoa, que esse tipinho não merece minha atenção, or something like this. E por mais que isso tenha sido só pra levantar minha auto-estima, eu tô começando a acreditar. Good for me. Really good for me.
No Radinho: Jem - Falling For You
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