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e a mãe, tá boa?
e a mãe, tá boa?





stephs fry em minúsculas e hype é o caraleo. idade mental que varia, cronológica que limita e cármica que confunde. loser, beesha, vagabunda, estourada, egocêntrica, crítica e pouco democrática. pros amigos, doce, prestativa e leal. pros "inimigos", indiferença cai bem. o fundamental pra viver? música, livros bons, filmes intrigantes e longos, lanchonetes pouco saudáveis e avenida paulista. the girl with the thorn in her side. não faço questão de ser diferente, ser igual é um conforto. do que eu não gosto? o espaço é pouco.

"how can they look in to my eyes and still they don't believe me?"
sábado, abril 15, 2006

the end =)
22:56

bom, esse blog deixará de existir dentro de alguns dias. achei digno dar uma satisfação aos meus milhares de leitores enlouquecidos, afinal, se esse blog durou tanto, foi por causa de vocês. obrigada por lerem isso aqui. por mais chata e insensível que eu possa parecer [ou ser, né...], eu ficava feliz ao saber que muitos de vocês se identificavam com as minhas palavras.

mas, para desespero de muitos, não deixarei de escrever. só não vou postar. bom, bem verdade que talvez, algum dia, eu volte a postar por aqui. talvez com outro layout, outra proposta, outras idéias [ou falta delas]. enfim, foi bom enquanto durou. não quero ser como os rolling stones :P

e pra quem quiser manter ou estabelecer algum contato comigo, meu e-mail está as ordens: srmota@gmail.com.

No Radinho: emilie simon - vu d'ici


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terça-feira, abril 11, 2006

Shuffle
03:34

E tudo muda. E, quando a gente se dá conta, mudou junto com tudo. É estranho. Me adapto, saudade vira mentira, às vezes. Não queria. Se o normal é sentir falta do antes, por que eu sinto falta do depois? Nem vivo tanto o agora assim... Ou vivo? Talvez. Fato é que tudo mudou e eu gostei, sinto-me culpada por isso. Mudar dói, mas é como se a dor me libertasse de um mundo ao qual, definitivamente, não pertenço. Continuarei me despedindo de universos alheios.

Percebi que quero parágrafos aleatórios hoje.

Sobre pessoas. O que são pessoas? Sobre destino. O que é destino? Sobre pessoas e destino: é verdade? Até que ponto era pra ser o que está sendo? Até que ponto é mera coincidência? Complexo. Se uma decisão tomada por outrém incide na sua vida como um desagrado... E agrada-te! Se você se perde de alguém por não se importar e acha de novo sem querer, agora não quer perder nunca mais. Se falsos laços se rompem sem que você perceba deixando pra trás toda a bagagem desnecessária que você carregava sem saber, sem sentir. Ou com os sentidos abafados, quase mudos.

Sobre mim. O que se deve fazer quando se quer fazer tudo, e, ao mesmo tempo, nada? O que eu devo fazer quando minha única vontade é te roubar do que é fora e te trazer pra dentro? Com quais armas devo lutar contra a angústia de ter sempre que esperar a próxima paixão passar por mim como se não me visse? Que notas devo tocar pra entender o ritmo que a vida segue, ainda que desafine? Que livro devo ler pra calar as questões inúteis que me deixam patéticos os textos?

Sobre sentir. O que é? É verbo. Tão somente. Verbo.

No Radinho: Vander Lee - Esperando Aviões / Seu Jorge - Tive Razão


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segunda-feira, março 20, 2006

Living and Learning
23:36

A faculdade aumentou muito a minha percepção. Percebi, por exemplo, que não tenho mais saco nem tempo pra postar. Eu volto quando der vontade.

See ya.

No Radinho: Bob Dylan - Jokerman


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domingo, fevereiro 12, 2006

=)
00:41

E logo chega o momento tão temido: o ano do vestibular. Dá aquele aperto no coração quando você assina o contrato do cursinho, porque você lembra que serão alguns meses sem ver os amigos, sem ir pra balada, sem participar das festinhas, sem dormir à tarde, sem tempo para ir à academia, sem jogar video-game ou ler livros que não sejam as obras exigidas pelas universidades. Adeus lazer.

Então, você passa dias e dias estudando além ds seu limite [porque na escola você não pegava nos livros e não fazia porra nenhuma além de conversar e dormir], engordando como um porco [ansiedade é melhor que biotônico fontoura], estressando ou chorando por qualquer coisa, de saco cheio dos livros, trancado em casa no final de semana, se sentindo o mais loser dos seres humanos.

Chegam as provas e você se sente sozinho, com medo de falhar. Será que meus pais vão me amar menos se eu não passar?. É ainda pior quando todo mundo confia em você, aposta todas as fichas na sua capacidade [que você, sinceramente, nunca viu]. Mas não é hora de desanimar, você tem uma prova pra realizar, concorrentes pra desbancar e uma vontade enorme de vencer tudo isso.

Acabam as provas. E aí, como foi?. Você não sabe responder. Mas como não sabe, você não fez a prova?. Você fez, mas ainda assim não tem a menor noção de "como foi". E isso vai te corroer as vísceras até que o resultado saia. Os dias passam lentamente... Você sonha com o resultado. Você medita acerca das possibilidades. Se vê vencendo, se vê falhando. Se vê rindo, se vê chorando.

Noites e mais noites sem dormir, a lista sai. Você esperou tanto por isso. Agora treme, tem medo de não achar seu nome. Desce a barra de rolagem, desce, desce, desce, desce... E você encontra seu nome lá. Você é um dos poucos que terão o privilégio de estudar em uma das melhores faculdades. A instituição dos seus sonhos. Primeira chamada, Letras, FUVEST 2006. Seu nome está lá, Stephanie.

Valeu a pena. Valeu muito.

No Radinho: Wonkavision - A Garota Mais


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sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Le Petit Dicionaire MSNic
22:44

Tem gente que não compreende completamente o funcionamento moderno do MSN e acaba cometendo algumas gafes. Então, vou dar umas dicas básicas pra você não ser vítima de um vodu de algum buddy revoltado carão monossilábico ou de uma bela ignorada fantástica nesse maravilhoso instrumento de conversação instantânea. Vamos começar com o significado real de cada um dos status do MSN:

Online: Esse é o status dos simpáticos, desocupados e/ou carentes. Quem fica o tempo todo Online geralmente é pouco popular, meio rejeitado e o status é um modo de dizer "hey, estou aqui, olhem, falem comigo!". Essa teoria se afirma quando a pessoa troca de nick de cinco em cinco minutos.

Ocupado: Blasé [seja lá como se escreve essa porra]. É o status do carão, do charminho, da antipatia, da Stephs do "não me toque", do "vá pra puta que pariu", do "eu já vi que você está online e se eu quiser falo com você", do "odeio gente sem assunto".

Volto Logo: Esse quer dizer "não vou voltar porque na verdade estou aqui, mas você não sabe porque eu te acho um saco".

Ausente: Se não houver nenhuma satisfação, do tipo "tô cagando" ou "fui à padaria", esse status esconde a seguinte mensagem: "finja que eu morri". Simples e prático.

Ao Telefone: Quer dizer que a pessoa está ao telefone, ué, não sabe ler?!

Em Horário de Almoço: Essa é a saída mais rápida pra quando entra aquele chaaaaato que você não suporta e sempre vem falar com você. É simples, o idiota entra, você coloca esse status e quando a janelinha dele aparecer você diz "Oiii, meu chuchu!!! Tô indo comer, depois eu volto, beijo!". Aí você continua navegando sossegado enquanto o cretino espera você voltar do seu lanche interminável.

É triste e dura a realidade, mas c'est la vie. Hoje em dia quase ninguém mais diz a verdade nos status do MSN. A maior dica que eu posso dar, no entanto, é: nunca desrespeite o status de uma pessoa sem autorização prévia da mesma. Isso é extremamente inconveniente e desagradável, por mais que a pessoa te ame, se ela não está Online e não foi falar com você, é porque tem algum motivo. Saiba respeitar as pessoas mesmo no mundo virtual. É fundamental e preserva as amizades.

: )

No Radinho: Human League - Don't You Want Me


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terça-feira, janeiro 24, 2006

"If you think I'm paranoid, It's fine"
01:16


"Quem me acompanha, me guia, quando me perco de mim?
Sei que não erro sozinho. Quem me leva? Quem me lava?
Só a minha consciência, que me faz ser e a quem faço:
tigre de garras ardentes, cajado que me sustenta,
olhos de ágatas imóveis, severo anjo que me guarda.
Mas às vezes me desguarda, me desguarnece da espada
de orvalho que corta fúrias e solta a rédea dos ímpetos.
Mas assim,desguarnecido, é quando sou porventura
mais perto e limpo de mim."


[Thiago de Mello]




Cansei. Cansei de ser legal, cansei de ser profunda, cansei de ser poética, cansei de ser compreensiva, cansei de ser educada, cansei de ser incrível, cansei de pessoas que, no fim das contas, não estão nem aí. Cansei de manter "amigos" que não valem merda nenhuma simplesmente porque eles precisam de mim. Eu não preciso dessas pessoas, não preciso de nada disso, não preciso de palavras de carinho e gestos de amor que duram menos que uma rayovac de camelô. O fato é que, quando eles precisam, você está lá. Quando você precisa, eles estão em qualquer lugar, menos ao seu lado. É loucura querer esse tipo de gente por perto.

Mas o pior não é "perder" pessoas. O pior é perder a fé em todo mundo. Ficar sem saber em quem confiar, ficar se policiando pra não dizer certas coisas, ficar em dúvida quando colocar alguém pra dentro, pra conhecer seu mundo, seus entes e amigos queridos e suas manias. O mais incrível é que isso no final não tenha valor nenhum pra alguns. Se tudo o que tenho não tem valor, que valor tenho eu se sou o que tenho? Sou um monte de elipses que fazem qualquer coisa soar bem, porque escondem os problemas e redundâncias para mostrar frases feitas, noites perfeitas. E as manhãs terríveis e solitárias são só minhas...

Eu estou longe de ser o que eu quero. Enquanto isso, muitos se aproveitam da minha restante inocência. Deve ser bom usar as pessoas. Deve ser muito bom. Ainda mais pessoas pequenas, feito eu. Como um chiclete, que te dá um prazer ridículo [mas já é algo] até perder o gosto. Ou até você achar um chocolate. E então, você joga o chiclete na rua pra alguém pisar e entra pra dentro de casa com o seu chocolate suíço. Ele é tenro, macio, dissolve na sua boca. O chiclete que você jogou na rua não passa de borracha. Borracha não dissolve... Ela resiste às suas mordidas, suas investidas, todas elas. Seu chocolate não resiste. E você se sente irresistível com ele.

Analogia ridícula, superficial. Mas tem que ser assim, porque eu cansei de ser profunda. E, ao mesmo tempo, cansei de esconder o que eu sinto lá no fundo só pra não machucar ninguém. Tô escrevendo tudo aqui justamente pra que todos leiam. Eu tenho um blog alternativo, que pouca gente lê, poderia estar escrevendo lá. Mas qual é a graça de jogar as facas em quem não tem que ser rasgado? Eu quero ferir quem me fere. Eu quero partir a cara de quem não olhou na minha. Eu quero socar meio mundo no estômago. Eu quero deixar de ser covarde e falar abertamente sobre coisas que incomodam. Eu quero que você leia isso, entenda que é pra você e que você ganhou uma conhecida. Mas perdeu uma grande amiga.

No Radinho: Rilo Kiley - Don't Deconstruct


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sexta-feira, janeiro 13, 2006

Liberdade Ainda que Tardia...
23:34

Tolos os que pensam ser livres em pleno século XXI. Sim, caríssimos, vivemos todos em regime ditatorial. Não, eu não estou ficando louca e não passei férias na Coréia do Norte. Estou falando sobre tendências. Porque temos sim tendência a nos submeter a certas [erradas!] influências. Seguimos um cronograma para saber como agir, o que dizer, o que não pensar e o que escrever a respeito do que nos sobra para pensar sobre. Somos escravos de nós mesmos, da nossa burrice, do nosso comodismo, da nossa falta de personalidade, da nossa falta de coragem de mandar os paradigmas pra puta que pariu e viver da forma que achamos realmente conveniente. E não somos o que queremos ser porque gastamos nosso tempo sendo o que os outros querem.

Eu, sinceramente, ando bem cansada de ser o que os outros acham que eu sou, de não ter liberdade pra ser o que quero e fazer o que quero sem ser injustamente criticada. Sim, porque se eu me recuso a fazer o que esperam que eu faça, sou cruelmente julgada. Se eu faço uma ironia acerca da vida de pessoas desfavorecidas economicamente, sou uma filha da puta elitista. E se eu chamar de pobre, vou pro inferno. Se eu faço caridade, sou uma cretina vaidosa. Se eu trabalho e estudo, sou mártir. Se eu só estudo, às custas de meus pais, sou vagabunda. Se eu passar no vestibular, é porque fiz cursinho. Se não passar, é porque sou preguiçosa e não estudei o quanto devia.

Ora, vão se foder. A escravidão de todos nós está exatamente nessa mania de julgamento que carregamos no âmago [falei bonito agora, hein, aplausos] como se fosse uma tradição milenar. Reclamamos muito das tais velhas fofoqueiras na janela e não vemos que aquilo é só um esteriótipo, que somos piores, pois fazemos tudo o que elas fazem, só que por baixo dos panos. E se uso o pronome "nós", me incluindo nesse contexto, não é porque sou humilde e reconheço meus erros. É porque acho que o texto fica mais bonito assim. Não reconheço meus erros porra nenhuma, sou orgulhosa, superficial, antipática e excluo socialmente quem eu acho que devo. Tenho todos os defeitos que você condena, mas não os nego, são parte de mim, bem como minha indignação para com a hipocrisia nossa.

No Radinho: Emílio Santiago - Verdade Chinesa


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quinta-feira, janeiro 05, 2006

"A Minha Felicidade é um Crediário..."
13:20

Outro dia vi uma coisa que me deixou intrigada. O celular da empregada da minha tia é 15 vezes mais moderno que o meu. Agora pergunto-lhes, caros leitores: isso indica que ela tem uma renda mensal incrivelmente maior que a minha?! Não necessariamente, indica que eu deveria roubar o emprego dela a facilidade que existe hoje em dia para se adquirir um bem de consumo. Redes de lojas enormes e hiper populares parcelam produtos em 35878923174908374 vezes sem entrada e sem juros, fazem no cartão, no cheque, no crediário, aceitam dinheiro, ticket refeição, a coleção de bolinha de gude do seu filho e seu tercinho da primeira comunhão.

Se compararmos com alguns anos atrás, onde ter uma linha de telefonia fixa era coisa de burgueses desgraçados exploradores do proletariado coitadinho, podemos ter uma boa idéia do que isso significa. Que mundo lindo estamos construindo! Cheio de facilidades e regalias para todos! Estou emocionada. E ainda tem gente querendo aumento. Que disparate. Pessoas assim agem dessa forma porque nunca tiveram de enfrentar a fila do papel higiênico na URSS. E tenho dito!

[Se sua empregada anda te pedindo aumento, esse é o momento de você imprimir esse texto e mostrar para ela. Certeza que ela desiste, se você o fizer!].

No Radinho: Morrissey - Suedhead


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sexta-feira, dezembro 23, 2005

And So... Is This Christmas?
20:28

É só isso?! Só isso mesmo?!

Pff...

Era muito mais mágico quando eu era criança e tomava choque na tomadinha do pisca-pisca.

OK, pelo menos amanhã vou comer como uma Macabéa etiopense sem que ninguém repare. Afinal, é Natal.

No Radinho: REM - Losing My Religion


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sábado, dezembro 10, 2005

Gostoso Como a Vida Deve Ser
01:02

Vou fazer uma retrospectiva. Mas, Stephs, o ano não acabou!. Foda-se, vou fazer essa porra antes que aconteça mais alguma desgraça na minha vida [*cai um vaso do além na cabeça de Stephs, chega um cachorro da rua e mija na perna dela, começa a chover e ela percebe que tem uma goteira imensa no teto*]. Como eu ía dizendo, vou fazer minha retrospectiva.

Janeiro
Não me lembro.
Fevereiro
Não me lembro.
Março
Não me lembro.
Abril
Não me lembro.
Maio
Não me lembro.
Junho
Não me lembro.
Julho
Não me lembro.
Agosto
Não me lembro.
Setembro
Não me lembro.
Outubro
Não me lembro.
Novembro
Não me lembro.
Dezembro
Não me lembro.

Obrigada pela preferência, volte sempre.

No Radinho: Maxeen - Good Enough


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quarta-feira, novembro 23, 2005

Resíduo
23:56



De tudo ficou um pouco
Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco


Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).


Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.


Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço
- vazio - de cigarros, ficou um pouco.


Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.


Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.


Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?


Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.


De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil...
De tudo ficou um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver... de aspirina.
De tudo ficou um pouco.


E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.


Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão. Às vezes um rato.

(Carlos Drummond de Andrade)

E confesso que eu nem gosto muito do Drummond. Mas esse me arranca lágrimas.

No Radinho:
Mundo Livre S.A. - Meu Esquema


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sexta-feira, novembro 11, 2005

Teoria dos Quinze Anos
20:25

Ahhh, meus quinze anos que se foram e não voltam mais... Graças a Deus! Que me desculpem os mais novinhos, mas ô idadezinha chulé, hein?! Puta que pariu, tá pra existir idade mais ridícula. Uhhh, pronto!, olha a chuvinha de debutantes me xingando! Caríssimos, guardem os elogios pra mamãe. Eu já tive quinze anos também, já sofri do mesmo mal que os acomete [a diferença é que eu era idiota assim quando tinha uns oito], já fui um inseto-wannabe-something, já fui tudo isso. Claro que toda regra tem exceção, mas no plano geral essas pessoas costumam ser insuportáveis. Dentre as exceções posso citar como exemplo muitos dos fidedignos leitores deste blog [olha o jabá], pois por vezes os acompanho em silêncio e consigo ver pessoas precocemente conscientes e inteligentes.

Falemos agora da massa: os 99% que tiram a paciência de qualquer Dalai Lama. Esses são aqueles que querem a todo custo aparecer, seja lá de que forma for [geralmente a primeira que encontram, pois são muito meticulosos em suas elaborações]. Para aparecer eles se utilizam de meios como o "Mamãe, eu quero um rótulo", artifício muitíssimo comum entre os aborrecentes de quinze. Como o próprio nome já diz, a prática consiste em adequar-se a um estilo de vida produzido pela mídia. Temos como exemplo os indies, emos, góticos, clubbers, alternativos [se bem que todo mundo é alternativo agora], entre outros grupinhos que povoam os clipes que a MTV exibe. Great. E depois que o cretino arruma uma tribo?! Ele adota um comportamento, meu bem... E é aí que a porca torce dolorosamente o rabo. Dentre as linhas de comportamento que esses diversos grupos adotam, podemos encontrar:

[Para meninas]
a)A Revoltada: ela vai vestir roupas rasgadas, enfiar um boné do irmão ou do primo na cabeça, comprar um skate com o dinheiro da venda de suas Barbies, adotar o "fuck" como palavra oficial para desejar bom dia e depois de tudo pronto, vai "anarquizar". Mas não se preocupe, é tão perigosa quanto um pepino em conserva.

b)A Filha de Murphy: essa é um saco. Tudo pra ela é uma merda fedida. Os pais não compreendem, os irmãos maltratam, a escola é um inferno, ela é gorda, excluída, não tem amigos [pudera!] e todo dia tem prova surpresa de matemática. As palavras que ela mais profere são "fodeu", "tédio" e "merda". Essa, diferente da Revoltada, é nociva, pois é praticamente um elétron gigante, de tão negativa.

c)A Vaca Leiteira: também conhecida como "Pegadeira" ou "Cachorra", esse tipo é muitas vezes o motivo da má ventura das duas supracitadas. Por quê? Simples! Ela é linda, peituda, popular, poser, bem relacionada, chique e dá pra quem ela quiser! O lado triste é que ela pensa que é feliz, enquanto na verdade é vazia e infantil. Precoce em assuntos como sexo, aos 15 anos já deu pra rua inteira e com 20 vai ter sífilis e/ou quatro filhos. Uma observação: esse tipo de comportamento raramente é encontrado dentro do grupo dos indies.

[Para meninos]
a)O Poeta: o garoto faz quinze anos, fuma uns becks, pega uma folha de papel e despeja nela todas as suas frustrações em versos decassílabos. Não, ele não tem o menor talento, mas mesmo assim acha tudo aquilo lindo e faz questão de assombrar os amigos com aqueles disparates aos literatos. Geralmente é um encalhado, mas um encalhado romântico que se masturba recitando.

b)O Ator: é aquele que faz cara de "eu sei", mas na verdade não sabe nada e é um bosta. Além de ser fútil e egocêntrico, ele é um belo mentiroso: fala bem, é articulado e eloqüente. Mas em vez de usar isso tudo a seu favor, ele fica estagnado usando sua cara de "eu sei", em vez de procurar saber. Esse é péssimo de xaveco, tem uma conversa maçante [geralmente sobre algum assunto que ele "leu" na Veja] e dá náuseas profundas em pessoas com cérebro.

c)O Malandro: esse é o inseto-mor. Largado, vagabundo, péssimo aluno, burro e retardado. É do tipo que passa o dia tocando baixo [guitarra é complexo pra ele] ou assistindo Chaves. Raramente é bonito e quando os pais são mais liberais, ele fuma, põe uns piercings, pendura alguma coisa em algum lugar, enfim, qualquer acessório que demonstre sua "alma evoluída e moderna". Quase sempre cata as Vacas Leiteiras. E sempre se acha o bom... Mal sabe que é o mais idiota.

No entanto, existem pessoas que mesmo depois dos quinze continuam adotando essas tribos e, conseqüentemente, alguns desses padrões de comportamento. Isso mostra que cronologia não é algo dogmático, idade mental é o que conta. Até porque, pra ser um débil mental, um jovem de quinze anos cronológicos precisa também ter quinze anos psicológicos. O que mostra que essa Teoria dos Quinze é algo que se aplica diretamente à idade mental: o retardado verdadeiro é o que age como tendo quinze, seja qual for sua idade cronológica. Não é birra, é uma verdade. Pessoas de quinze anos [psicológicos, cronológicos, os dois juntos, whatever] tendem a achar que são auto-suficientes quando não sabem limpar a própria bunda. Muitos chegam até a se dizer "ateus" nessa idade, sem ao menos saber o que é religião. Falam mal do que não conhecem quase sempre, mas é porque sequer conhecem a si próprios. São, definitivamente, a escória da pirâmide etária da humanidade. Mas volto a repetir: ninguém depende do tempo, e sim da própria consciência.

E você? Quantos anos você tem?

No Radinho: Os Mutantes - Balada do Louco

Obs.: Talvez eu tenha frustrado vocês com a minha decisão de não postar a respeito do referendo. Mas tomei essa posição porque não quis influenciar ninguém com a minha opinião sobre o assunto, já que sei que muitas pessoas votam sincronizado ¬¬. Mas agora que já passou, posso dizer que fui a favor do "Não", caso queiram saber.


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quarta-feira, outubro 12, 2005

Nostalgia
01:27

Minha avó lavava roupas. Era lavadeira desde muito. Quando não mais dependia disso p'ra se manter, lavava as roupas dos netos, que constantemente passavam as tardes em sua aconchegante casa com cheiro de almoço de domingo. Ficávamos eu, meus irmãos e meus primos na barra da saia d'avó, ouvindo ela contar os causos na beira do tanque. Eu gostava de um chamado "Pereira e o Pé de Pêra". E não me esqueço nunca do quanto era bom aquele abraço d'avó com o vestido molhado na altura da barriga, dado muitas vezes quando eu ficava com medo dos tais causos.

A minha avó tinha muitos tesouros em sua casa [além dos netos, é claro]. Dentre eles, tinha ela uma latinha embaixo de sua cama, onde afirmava guardar um Saci. Morríamos de medo, ninguém se atrevia a mexer na lata ensacizada. Mais tarde, quando eu e o resto da criançada tomamos coragem pra enfrentar o tal do Saci d'avó e abrimos a lata, fomos descobrir que não passava de mandinga pra manter família unida. Não, não foi um alívio. Tudo o que queríamos naquele dia, era um Saci. E não mais tinhamos um. Só um monte de mel com papéizinhos dentro. Mas a família era unida que só!

P'ra mim, contudo, o maior tesouro d'avó era a maletinha de K7s dela. Eu pegava a maletinha, ía colocando as fitas no rádio e ficava ouvindo as modas de viola que encantavam tanto a vovó. Passava horas ali, ouvindo e tentando acompanhar. Ela me pedia pra cantar pra ela "a música da carta". E eu, com uma voz estridente de criança chata, prontamente satisfazia a vontade da querida vovó: cantava uma música de uma dupla chamada João Mineiro & Marciano que vocês, estou certa, achariam breguérrima. Mas eu, quando eu ouço, ainda choro. De saudade, de arrependimento por não ter cantado mais vezes "a música da carta".

Ía me dar um violão, a minha avó. Era o que ela mais queria... Poder me dar um violão, pra me ver tocar as músicas que eu religiosamente ouvia todas as tardes com ela. Faleceu antes de conseguir me dar o violão. Ainda assim, eu o quis, pedi de minha mãe que me desse um. Ela me deu, virei guitarrista, esqueci das fitinhas da vovó. Como pude me esquecer da melhor parte da minha vida até agora? Hoje, quase dez anos após o falecimento da vovó, chorei ao tocar e cantar uma das músicas que ela cantava no tanque pra mim...: "Cuitelinho". Foi como se eu visse o rádio e as fitinhas na minha frente. Como se pudesse ouvir a 'vó cantando:

"A tua saudade corta
como aço de navaia...
O coração fica aflito,
bate uma e a outra faia.
E os óio se enche d'água...
Que inté as vista se atrapaia ai ai ai..."


As vista se atrapaia ai ai... Se atrapaia... Aço de navaia... Navaia. Bate uma, outra faia ai ai... Ai ai. Ai ai. Ai ai... Ai ai. E os óio se enche d'água... Se enche d'água... Enche d´água... D'água. Encheu... Ai ai. 'Dá mais pra escrever, não.

No Radinho: Pena Branca e Xavantinho - Cuitelinho


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terça-feira, setembro 20, 2005

To Share
23:03

Bom, estou sem criatividade pra escrever ultimamente, então pensei em dividir um momento musical tocante com vocês.

Angélica - Vou De Táxi
by Angélica

VOU DE TÁXI

Pela janela do meu quarto
ouço a buzina
me chamando
quem será que vem me acordar

mas no banho
você me tocar
de repente
lembrei do teu olhar

no espelho
a cor do batom
lembro o beijo
que foi pra lá de bom...

(refrão)
vou de táxi se sabe
tava morrendo de saudade
mas nem lembro
do teu nome

não tem pressa
Teu jeito de olhar pra mim
me arrepia
me leva , me faz viajar...
pelo céu
pelo sol
pelo ar
a escola pode esperar...

(refrão)
vou de táxi se sabe
tava morrendo de saudade
vou de táxi... tô com saudade...
mas só com você .. só com você

No Radinho: Angélica - Vou de Táxi


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sexta-feira, agosto 26, 2005

É de [Fazer Cair] Lágrima
20:45

Que me desculpem os fãs mais fervorosos, mas o novo disco dos Hermanos, intitulado "4", é um belo lixo. Tentei gostar, ouvi setecentas vezes e cheguei à conclusão de que infelizmente eles frustraram as minhas expectativas. Pudera, o Ventura foi um marco, disco excepcional. Mas o 4 deu a impressão de que eles quiseram inovar sem mudar nada. Não entendeu? Eu explico. Dá a impressão que eles usaram os mesmos acordes em todas as músicas, o disco é clichê. É clichê sim: desde os acordes até os títulos, passando por versos tenebrosos como "Eu sei é um doce te amar/O amargo é querer-te pra mim". Se tivesse lido esse trecho sem ouvir a música, teria dito que é de alguma música do Zezé de Camargo.

Voltando à questão dos títulos, simplesmente esperava muito mais dos caras. Porra. "Morena", "O Vento", "Os Pássaros", "Pois é"... São músicas que devem ter 'isonômios' aos quilos, litros e garrafadas, espalhados por aí. O 4 inteiro é fortemente marcado pelo tom ultra-mega-high-depressivo das músicas, causou-me sonolência e deixou-me impaciente. É basicamente uma trilha sonora pra dor-de-cotovelo e foi difícil ouvir cada música até o fim. Pra não dizer que achei tudo péssimo sem exceção, darei um crédito p'ra melodia de "Morena", apesar do título ser manjado [duvido que o Alceu Valença ou o Zé Ramalho não tenham uma música com esse nome], da letra ser chata e do Marcelo Camelo cantar todas as músicas exatamente do mesmo jeito.

O 4 é maçante e é a maior prova de que os críticos são, em sua esmagadora maioria, uns boçais que sofrem de falta de personalidade e opinião agudas.

No Radinho: Los Hermanos - Cher Antoine


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